Indio Ramirez e Gerson disputam bola em Flamengo e Bahia — © Alexandre Cassiano
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A acusação de racismo do volante do Flamengo Gerson contra o colombiano Ángel Ramírez virou tema entre os torcedores, nesta semana. Contudo, outro caso polêmico do meia colombiano do Bahia ficou conhecido entre os brasileiros. Emprestado ao Tricolor pelo Atlético Nacional, da Colômbia, Ramírez perdeu espaço em seu país após comentar publicamente uma insatisfação com um ex-treinador: “não me sinto bem”.

O LANCE! conversou com o jornalista Ángel Julio Rodelo, colunista da Rádio Antena 2, da Colômbia, e comentarista esportivo na RCN Rádio, para entender melhor a confusão que envolveu a promessa colombiana e o ex-treinador do Atlético Nacional. No começo deste ano, Índio Ramírez detonou seu comandante e perdeu espaço no elenco.

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– É um jogador que teve seu momento no Atlético Nacional. Índio Ramírez reclamou da continuidade, não queria ficar rodando (o elenco, variando entre reserva e titular)… É sabido que Carlos Osório, que mantém uma filosofia de trabalho, pediu continuidade, não queria ficar rodando. De qualquer forma, é uma das grandes promessas do Atlético Nacional e isso gerou um inconveniente com Osório – confirmou o jornalista.

Osório ficou conhecido no Brasil após treinar o São Paulo, em 2015. Aos 59 anos, o treinador colombiano possui um sistema tático de variar suas escalações conforme o adversário. A inquietude de Ramírez acabou gerando desgastes com o técnico, que deixou o Atlético no começo de novembro.

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A confusão aconteceu em fevereiro deste ano. Ramírez concedeu entrevista à uma rádio local, onde revelou ter se sentido “descartado” e afirmou não se “sentir bem” no clube. O meia rodou em alguns times antes de chegar ao Bahia e teve poucas oportunidades no Nacional.

Pouco antes de ser novamente emprestado, Ramírez chegou a dar entrevistas públicas criticando Osório e sua rotatividade. O atleta, tido como uma joia do país e figura constante na convocação das seleções de base, desejava mais ritmo de jogo e sequência, algo que conquistou aos poucos com Mano Menezes, no Brasil.

De acordo com Ángel, embora Ramírez tenha exposto a situação de infelicidade no Atlético Nacional aos torcedores, o comportamento do jogador era constante e regular.

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– Ramírez, na verdade, não extrapola muito, simplesmente algo normal de disputa entre jogadores, comissão técnica. Quem sabe uma profundidade midiática afetou este caso – disse ele, que seguiu:

– Ele é um caso normal. É um caso similar ao de outros: jogador jovem, com talento, tratado como um dos melhores na seleção, ganhou títulos nacionais e continentais, como a Libertadores… Se me perguntar se é um grande jogador, te afirmo que sim. Técnico e que promete muito ao nosso país.

ENTENDA O CASO COM GERSON
O meio-campista Gerson, camisa 8 do Flamengo, denunciou o suposto caso de injúria racial durante uma confusão na partida. Enquanto o Rubro-Negro, que venceu o Bahia por 4 a 3, ganhava o jogo antes de tomar a virada, uma confusão mobilizou os jogadores no Maracanã.

Gerson diz que escutou de Ramírez os dizeres “Cala a boca, negro”. A frase revoltou alguns atletas, porém, nada foi feito no momento. Em súmula, o juiz da partida relatou que não foi avisado – embora seja possível ver nas imagens do jogo que Gerson conta a jogadores, treinadores e árbitros do jogo.

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NOVA CULTURA: RACISMO É POUCO COMENTADO NA COLÔMBIA
No Brasil desde novembro, Ramírez afirmou em vídeo que não sabe português o suficiente para ter dito algo racista, assim como afirmou não ter entendido o que disse Gerson à ele. Índio negou que tenha falado a frase racista.

O LANCE! questionou o jornalista colombiano se casos assim são debatidos no país. De acordo com ele, situações de racismo são pouco faladas na região onde vem o jogador. Ángel ainda contou que o caso não repercutiu tanto no país como no Brasil.

– Nunca teve maiores problemas de indisciplina. É um homem profissional que tem um temperamento, que precisa ser respeitado. Agora, o tema do racismo não foi muito explorado por aqui.

O Flamengo e o volante seguem se manifestando contra o suposto ataque racial. O clube criticou o racismo estrutural no esporte e pediu justiça pelo caso, que deve ser levado ao Supremo Tribunal de Justiça Desportiva. Gerson, nas redes sociais, comentou que “sua voz não será calada”. O Bahia afastou o jogador.

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