Mauro Cezar, comentarista da ESPN (Reprodução)
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BLOG DO MAURO CEZAR PEREIRA: É evidente que os times brasileiros figuram entre os que possuem melhor condição financeira entre os participantes da Libertadores. Mas o fato seu poder de investimento sem maior não assegura vitórias. É preciso lutar por elas, jogar bem. Mas persiste o desprezo de parte da comunidade do futebol no país em relação aos vizinhos.

As derrotas do Santos, em casa, para o Barcelona de Guayaquil, e do Internacional, em La Paz, para o até então desconhecido Always Ready, são daquelas lições que se repetem anualmente, mas jamais serão aprendidas por muitos. Também, por isso esse tipo de resultado que surpreende seguirá acontecendo e integrando a magia dessa competição.

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O vice-campeão brasileiro foi bombardeado em La Paz, com 21 finalizações da equipe local, de acordo com as estatísticas do One Football. E o time boliviano sequer atuou no Estádio Municipal de El Alto, a 4.090 metros de altitude, mas no Hernando Siles, a menos de 12 quilômetros dali, instalado a “apenas” 3,6 mil metros do nível do mar.

Claro que a realização da peleja nas alturas pesou, mas o Always Ready mostrou que pode, sim, fazer os nove pontos em seus domínios e lutar pela classificação. Algo que já ficou mais difícil para o Santos logo na estreia com a derrota ante o Barça equatoriano. O vice-campeão de 2020 caiu diante de um clube que há tempos se arrasta em meio a problemas econômicos.

Até quem venceu, o Flamengo, vê parte de sua torcida desmerecer o próprio triunfo, apesar de o Vélez Sarsfield liderar seu grupo na Argentina. Dado o poderio do elenco rubro-negro, há quem torça para o time carioca e, ao mesmo tempo, imagine que todos os adversários na verdade são meros sparrings. Mesmo com o histórico de vexames do clube em certames internacionais neste século.

A arrogância brasileira ainda gera surpresas. E há uma diferença entre possuir mais recursos e saber explorá-los bem. E isso nem sempre ocorre no futebol brasileiro. Internacional e Santos têm treinadores que iniciam seus trabalhos, claramente de longo prazo, desde que permitam. Eles começarão a conviver com o imediatismo e cobranças desproporcionais.

Não, em geral o brasileiro não costuma estar pronto para lidar com o futebol em processo de evolução natural. É tudo para ontem, principalmente quando ocorre uma derrota, mesmo quando o time ganha troféus. A #ForaCeni, que clama pela saída do técnico campeão brasileiro e da Supercopa do Brasil com o Flamengo, confirma isso.

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