Que atuação magistral de Gabigol na importante goleada do Flamengo sobre o Grêmio, resultado que o levou à vice-liderança do Brasileiro, a quatro pontos do líder Internacional! Endiabrado, deslocando-se por todos os setores do ataque, o artilheiro foi o fator de desequilíbrio da partida, participando diretamente de três dos quatro gols – o que marcou foi uma pintura, num chute de curva, da entrada da área.

Em alguns momentos do segundo tempo, comandado por seu goleador, o rubro-negro carioca reencontrou o seu melhor futebol. Bruno Henrique, que, uma vez mais, atuara atarraxado na ponta-esquerda, na primeira etapa, se soltou (fez grande jogada até pela ponta-direita) e Éverton Ribeiro, que vinha mal, subiu de produção, ainda que abaixo de seu melhor nível.

Apesar do excelente resultado e de grandes momentos na etapa final, foram poucos os méritos do técnico Rogério Ceni. A zaga que “inventou” com William Arão e Gustavo Henrique falhou de forma bisonha no primeiro gol do Grêmio e nunca conseguiu dar segurança à defesa rubro-negra. É ponto fraco preocupante para as últimas e decisivas rodadas.

Zaga à parte, sua primeira substituição, após o terceiro gol rubro-negro, foi típica de técnico de time pequeno. Era o melhor momento do Flamengo na partida, a melhor atuação sob o seu comando, e ele, ao invés de aproveitar para liquidar a partida com uma goleada, rapidamente tratou de sacar Diego (peça importante na armação de jogadas de ataque) para colocar o jovem João Gomes, volante típico de contenção.

Aos 39 minutos, após Diego Souza diminuir para 3 a 2, novamente tirou Gabigol para colocar Pedro (é inacreditável a sua teimosia em não deixar os dois jogarem juntos) e sacou Arrascaeta para colocar Pepê. Antes, colocara Vitinho, no lugar de Éverton Ribeiro, e foi do contestado ex-jogador do Botafogo e do Internacional, após errar quase tudo de que participara, a jogada que culminou com o gol de Isla, sacramentando a goleada e a vitória.

Com o resultado, o Flamengo manteve vivo o sonho do octacampeonato, embora ainda dependa de um tropeço do Internacional para chegar ao título. A grande questão é saber se seu treinador não atrapalhará o time na hora da verdade – como já atrapalhou contra o Fortaleza, o Fluminense, o Ceará, o Athletico Paranaense etc.

E Gabigol precisa repetir nas próximas partidas desempenhos como o que teve na Arena Gremista. Desde que, é claro, Rogério Ceni o deixe em campo e permita que seus companheiros de ataque, sobremaneira Bruno Henrique, atuem como nos tempos de Jorge Jesus, na gloriosa campanha de 2019 e início de 2020. Em termos de valores individuais, o Flamengo continua a ser o melhor do país e, por que não dizer, do continente.

Basta o treinador não atrapalhar.

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Por: Renato Maurício Prado

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